(Source: momentos-so-meus)
Isso não é um conto romântico, nem de terror, ou de qualquer outro gênero antes citado em qualquer conto. É algo novo, diferente, nem eu mesmo entendo da onde veio toda essa loucura.
A história começou num belo dia, quando eu decidi sair de casa e, ao entrar no elevador, reparei que havia esquecido minhas chaves em cima da cama, isso não acontecia com frequência, pois, como sou muito focada, raramente esqueço das coisas. Voltei correndo pra casa e, ao entrar em meu quarto, reparei que algo estava errado. Minha cama estava em outra posição, um metro para a direita, pensei com meus botões que estava ficando louca, não havia nenhuma explicação lógica para aquilo. Eu morava sozinha, não tinha empregada, e, se houvesse alguém em minha casa de certo não teria vindo para mudar meus móveis de lugar.
Foi quando eu olhei para o lado, e me deparei com um homem, de uns 30 anos no máximo, com uma roupa meio suja, parecia que não se barbeava a algum tempo. Fiquei em estado de choque, o que aquele homem estava fazendo em minha casa? Será que iria me fazer de refém? Me sequestrar? Qual o nexo daquela cena? Minha cabeça estava explodindo com milhões de perguntas, porém nada justificava o que estava acontecendo. Foi quando eu decidi falar com ele, aquilo não podia ficar mais estranho, então me arrisquei:
- Quem é você? O que está fazendo em minha casa? - Eu disse, tentando parecer durona, mas na verdade morrendo de medo.
- Bom, eu sabia que esse momento iria chegar algum dia, mas não sabia que seria tão constrangedor…
- Você não respondeu minhas perguntas! Vou ligar para a polícia. - Disse, porém, não consegui me mover, estava totalmente intrigada com essa estranha cena que estava acontecendo, decidi esperar ele responder.
- Eu sou “O homem”, bom, pelo menos é como muitos me chamam.
- O homem? Você está brincando comigo?
- Não, de nenhum jeito. Como brincaria com a minha inspiração?
- Não estou te entendendo, como você pode se inspirar em mim sendo que acabei de conhecê-lo? O que é isso? Algum tipo de “pegadinha”?
- Não, de jeito algum. Vou te explicar tudo. Eu sou “O homem” e moro embaixo de sua cama a muitos anos. Sempre tive vontade de falar com você, de ver qual seria a sua reação ao me ver. Poder te contar tudo, mas nunca tive coragem.
- Você só pode estar brincando comigo… Que loucura é essa? Alguém, que se auto-intitula como “O homem” e mora embaixo de minha cama a mais de anos?
- Eu não sei como aconteceu, só sei que um dia eu estava em minha casa e n’outro estava aqui, morando embaixo de ti. Acho que foi alguma mágica, ou o destino. Só sei que todo esse tempo que estive aqui ouvi tudo que se passava com você, e muitas vezes quis te ajudar. Sei que você é alguém muito especial. Te admiro muito por isso.
- Isso só pode ser uma brincadeira. Morando embaixo de mim, e eu nunca reparei? E como é possível viver num espaço tão pequeno como esse? Vou ligar para a polícia, já me cansei de suas baboseiras.
- Não faça isso, você é tudo que eu tenho, você e sua cama, minha casa. Vamos fingir que nada aconteceu, você pega o que esqueceu e eu volto para debaixo da cama.
- Não vou fingir que não sei de nada, e também não vou acreditar em você..
Enquanto eu falava ouvi um barulho ensurdecedor, algo como um sirene, ou uma buzina, não sei. Só sei que de repente eu acordei.
As vezes eu penso que é inveja, sim, eu sinto inveja, mas depois eu penso que me sinto suja ao inveja-la